Ao consultar ex-tarifários, você sempre vai encontrar dois tipos: BK e BIT. A diferença entre eles vai além do nome — impacta diretamente a alíquota final do Imposto de Importação e os critérios de elegibilidade. Este artigo explica tudo que você precisa saber para identificar corretamente o tipo do seu produto.

BK — Bens de Capital

BK significa Bens de Capital — máquinas, equipamentos, aparelhos e instalações industriais que não possuem similar nacional. São os ativos produtivos que uma empresa importa para aumentar sua capacidade produtiva, automatizar processos ou modernizar operações.

Exemplos típicos de BK:

  • Máquinas CNC para usinagem de precisão
  • Reatores e equipamentos de processo industrial
  • Equipamentos de mineração e perfuração
  • Instalações completas de energia (turbinas, geradores)
  • Equipamentos de movimentação industrial (pontes rolantes, guindautos)

BIT — Bens de Informática e Telecomunicações

BIT significa Bens de Informática e Telecomunicações. Esta categoria cobre equipamentos de TI, redes e comunicações que o Brasil optou por incentivar mais agressivamente — daí a alíquota zero.

Exemplos típicos de BIT:

  • Servidores e sistemas de armazenamento de dados
  • Equipamentos de rede (roteadores, switches de alta capacidade)
  • Equipamentos de transmissão de dados e fibra óptica
  • Sistemas de radar e controle de tráfego aéreo
  • Equipamentos de diagnóstico por imagem digital

Comparativo de alíquotas

Característica BK (Bens de Capital) BIT (Informática/Telecom)
Alíquota II com ex-tarifário 0% 0%
Alíquota II TEC típica (sem ex) 12% a 16% 14%
Redução máxima típica 12 a 16 pontos percentuais 14 pontos percentuais
Capítulos NCM mais comuns 73, 74, 76, 84, 85, 39, 40 84 (8471), 85 (8517–8536), 90
Critério principal Ausência de similar nacional Ausência de similar nacional
Vigência típica 1 a 3 anos 1 a 3 anos

Como identificar o tipo pelo NCM

A classificação BK ou BIT está diretamente ligada ao NCM de 8 dígitos do produto. A regra geral é:

Capítulo / Posição NCM Tipo usual Observação
84.71 (computadores e máquinas de processamento de dados) BIT Inclui servidores, notebooks industriais, terminais
85.17 (telefones, modems, roteadores) BIT Equipamentos de rede e transmissão de dados
85.25–85.28 (câmeras, transmissores, receptores) BIT Radiodifusão, televisão, vigilância digital
90 (instrumentos ópticos, médicos, científicos) BIT ou BK Depende do uso — diagnóstico por imagem tende a BIT
84 (demais posições — máquinas mecânicas) BK Compressores, bombas, turbinas, prensas
73, 74, 76, 39, 40 (materiais industriais) BK Estruturas, tubulações, perfis especiais

Atenção: esta tabela é uma orientação geral. O tipo definitivo é determinado pela Resolução GECEX específica. Sempre consulte o NCM exato do seu produto neste buscador para confirmar o tipo e a alíquota aplicável.

LEBITBK: a lista oficial de classificação

A classificação oficial de cada NCM como BK ou BIT está no Anexo VI da Resolução GECEX nº 272/2021 (e suas atualizações). Esta lista, conhecida informalmente como LEBITBK, contém cerca de 1.400 NCMs de 8 dígitos com a classificação "BK", "BIT" ou "BK/BIT" (quando o NCM admite ambos, dependendo do uso). A lista é mantida pela SDIC (Secretaria de Desenvolvimento Industrial) do MDIC.

Na prática, a classificação BK ou BIT não é uma escolha do importador — é determinada pelo NCM do produto na lista oficial. Se o NCM não consta na LEBITBK, o produto não é elegível para ex-tarifário (salvo exceções por resolução específica).

Neste portal, cada NCM já exibe o tipo correto de acordo com a LEBITBK. Quando o NCM é classificado como "BK/BIT" (ambíguo), a resolução GECEX de concessão do ex define qual tipo se aplica a cada ex específico.

Impacto financeiro real: BK vs BIT

Para uma importação de USD 500.000 CIF (equivalente a ~R$ 2,75 milhões à taxa de R$ 5,50), zerar um II de 14% economiza R$ 385.000 só no imposto — e o impacto total, considerando os tributos em cascata, é ainda maior:

Cenário II pago Base do ICMS (estimada) Economia total estimada*
Sem ex-tarifário (14% II) R$ 385.000 Alta
Com ex-tarifário (0% II — BK ou BIT) R$ 0 Mínima ~R$ 385.000+

*Considera só a diferença de II. A economia total (com o efeito cascata sobre o IPI e o ICMS) é maior; o PIS/COFINS-Importação não muda, pois incide só sobre o valor aduaneiro. Use o simulador para o cálculo preciso com o ICMS do seu estado.

Quer calcular para o seu caso específico? Acesse o Simulador de Ex-Tarifário e insira o NCM, valor CIF e estado.

Se BK e BIT vão os dois a 0%, qual a diferença na prática?

Hoje, nenhuma na alíquota: as concessões vigentes reduzem o II a 0% tanto para BK quanto para BIT — consolidadas, respectivamente, na Resolução GECEX nº 780/2025 e na Resolução GECEX nº 781/2025. A distinção entre os dois tipos é regulatória e procedimental, não de valor.

A classificação continua importando por três motivos: (1) cada tipo tem lista consolidada e resolução de origem próprias — quem monitora vigência e renovação precisa acompanhar o ato certo; (2) a elegibilidade do NCM passa pela LEBITBK (Anexo VI da Resolução GECEX nº 272/2021), que classifica cada código como BK, BIT ou ambos; e (3) a análise de similar nacional é feita frente à indústria de cada segmento — os contestantes típicos de um pleito BK (ABIMAQ, por exemplo) não são os mesmos de um pleito BIT (ABINEE).

Contexto Mercosul e TEC

A Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul é negociada entre os países membros (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai). O ex-tarifário é o mecanismo nacional que o Brasil usa dentro da janela que as regras do bloco reservam aos regimes de Bens de Capital e de Bens de Informática e Telecomunicações — por isso a redução é temporária, por bem específico (o "Ex") e condicionada à ausência de produção nacional equivalente, em vez de uma mudança permanente da TEC.

O efeito é transformador: a redução a 0% elimina o II — economia de 100% sobre a alíquota cheia, com efeito cascata sobre o IPI e o ICMS da importação.

Casos borderline: quando a classificação é difícil

Alguns produtos caem em zona cinzenta entre BK e BIT. Exemplos reais tirados de consultas públicas do MDIC:

  • Máquinas-ferramenta com controle numérico avançado: são BK (capítulo 84), mas o sistema de controle embarcado tem alma BIT. Classificação segue o bem principal.
  • Equipamentos médicos conectados à rede: um tomógrafo com processamento digital é BIT (NCM 9022.12.00 pode ter ex-BIT). Já uma esterilizadora autoclave mecânica é BK.
  • Sistemas de automação industrial (SCADA, CLPs): tipicamente BIT quando o NCM é 8537 (quadros de comando) com foco em controle lógico; BK se for painel elétrico de distribuição puro.
  • Impressoras 3D industriais: BK se for para manufatura aditiva de metal (84.63/84.65); BIT se for para prototipagem conectada em rede (84.43).

Na dúvida, consulte a Resolução GECEX específica do NCM. Neste portal, cada página de NCM mostra todos os ex-tarifários com seu tipo, alíquota, e a Resolução que os concedeu.

Como o MDIC decide se é BK ou BIT

No processo de análise do pleito de ex-tarifário, o MDIC avalia o produto conforme critérios técnicos para classificá-lo:

  • BK: bens que servem para produzir outros bens ou serviços — máquinas, equipamentos, ferramentas industriais, aparelhos de medição industrial. A função primária é produtiva.
  • BIT: bens cuja função primária é processar, armazenar, transmitir ou exibir informações — hardware de TI, equipamentos de rede, instrumentos de telecomunicação. A função primária é informacional.

Quando o bem tem função dupla (ex: máquina CNC com sistema SCADA embarcado), a classificação segue a função principal do bem como unidade funcional. Um torno CNC é BK (a função é usinar), mesmo que seu controlador seja essencialmente um computador industrial.

O erro mais comum: aplicar ex-tarifário BK em produto BIT (ou vice-versa)

A Receita Federal cruza a descrição do produto com a classificação do ex-tarifário. Se um importador declarar um equipamento BIT na posição NCM correta, mas aplicar ex-tarifário BK por engano (ou o contrário), o despacho é retido e o ex-tarifário invalidado.

Consequências:

  • Reclassificação compulsória para a TEC cheia.
  • Cobrança do II diferencial (até 16% sobre CIF).
  • Multa de ofício de 75% sobre o tributo devido.
  • Juros SELIC acumulados desde o fato gerador.

Em uma importação de R$ 2 milhões CIF, um erro desses pode custar mais de R$ 500 mil em tributos e multas. Vale checar duas vezes antes de registrar a DI/DUIMP.

Para confirmar o tipo antes do despacho, consulte a página do NCM neste portal — o tipo (BK ou BIT) aparece junto ao badge de cada ex-tarifário, e a alíquota reduzida é exibida explicitamente. Em caso de dúvida, consulte também a página oficial do MDIC sobre ex-tarifários e a LEBITBK vigente.

Como o portal diferencia BK e BIT nas consultas

Aqui no Buscador Ex-Tarifário, a distinção é visual e estrutural:

  • Badge azul com ícone = BK.
  • Badge verde com ícone = BIT.
  • Filtro por tipo nas listagens: /tipo/bk e /tipo/bit.
  • Landing pages combinadas por capítulo: /capitulo/84/bk, /capitulo/85/bit.
  • Badge de alíquota II em cada ex-tarifário, já com a substituição aplicada (0%).

Estratégia para importadores recorrentes

Se a sua empresa importa o mesmo equipamento periodicamente, monte um cadastro interno com:

  1. NCM de 8 dígitos.
  2. Tipo (BK ou BIT).
  3. Número da Resolução GECEX que concedeu o ex-tarifário.
  4. Data de início e fim da vigência.
  5. Descrição técnica da resolução (copie literal).
  6. Link para o NCM no Buscador Ex-Tarifário para revalidar antes de cada DI.

Adicione ao seu checklist pré-DI: "o ex-tarifário ainda está vigente hoje?" e "meu produto ainda se enquadra na descrição literal?". Dois minutos de verificação poupam semanas de litígio com a RFB.

Tendências: expansão da lista BIT

Nos últimos anos, a tendência é de ampliação da lista BIT. Equipamentos que antes eram classificados como BK puro (como instrumentos de laboratório com conectividade IoT, ou painéis de controle com processamento embarcado) estão migrando para BIT à medida que o componente digital se torna predominante. Como hoje os dois tipos reduzem o II a 0%, o efeito prático da reclassificação está no enquadramento normativo (lista, resolução de origem e critérios de análise), não na alíquota.

Acompanhar as atualizações da LEBITBK e das Resoluções GECEX permite identificar essas reclassificações. Se o NCM do seu produto foi reclassificado de BK para BIT, revise o ato de origem do seu Ex — a vigência e a descrição literal passam a ser acompanhadas na lista BIT.

Setores que mais se beneficiam dessa tendência: automação industrial, instrumentação de laboratório, equipamentos médicos com processamento digital, e sistemas de monitoramento ambiental com IoT. Se o seu produto tem componente digital significativo e hoje está classificado como BK, vale acompanhar se futuras atualizações da LEBITBK podem reclassificá-lo para BIT — e conversar com sua consultoria de comércio exterior sobre a viabilidade de pleitear essa reclassificação junto ao MDIC.

Consulte a listagem completa de ex-tarifários BK e BIT vigentes nas páginas Ex-tarifários BK e Ex-tarifários BIT deste portal.